quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Volta

Noche chegada.

Pesa nos olhos o cansaço do dia.

As estrelas, vistas das janelas embaçadas dos coletivos,

Parecem incertas - ardem os olhos.

Os restos do dia misturam-se:

O que devia ter sido feito, o desfeito, o que não será feito nunca...

Suor, contra-cheque no bolso, arroz na marmita -

_ Paguei a conta da luz?

O ônibus segue seu caminho, acendem-se as luzes.

Não há pressa.

Mendigos respiram lentamente

E, lenta, a noite não é inteira,

Dilui-se nos clarões da cidade.

HOJE acabou.

De hoje só resta o peso nos olhos,

Resta a marmita, o sono do mendigo, e a noite.

AMANHÃ virá.

Noche chegada. Cansaço e sonho.

O último ônibus partiu, caminhos vazios...

À noite estamos sós, para onde ir?

Não há horizonte para nos guiar.



Andréia Nascimento

26/05/1991
Numa célula,
Num ser que houve, jazia
A vida _ quando?

Hoje, esqueceu
Sua origem, mata-se,
Morre nos becos.

Talvez se destrua
À tarde, num domingo
Ao crepúsculo.

Ou, só, perca-se
Na estrada, e vague
Em busca _ de quê?


Andréia Nascimento
24/08/1986