Noche chegada.
Pesa nos olhos o cansaço do dia.
As estrelas, vistas das janelas embaçadas dos coletivos,
Parecem incertas - ardem os olhos.
Os restos do dia misturam-se:
O que devia ter sido feito, o desfeito, o que não será feito nunca...
Suor, contra-cheque no bolso, arroz na marmita -
_ Paguei a conta da luz?
O ônibus segue seu caminho, acendem-se as luzes.
Não há pressa.
Mendigos respiram lentamente
E, lenta, a noite não é inteira,
Dilui-se nos clarões da cidade.
HOJE acabou.
De hoje só resta o peso nos olhos,
Resta a marmita, o sono do mendigo, e a noite.
AMANHÃ virá.
Noche chegada. Cansaço e sonho.
O último ônibus partiu, caminhos vazios...
À noite estamos sós, para onde ir?
Não há horizonte para nos guiar.
Andréia Nascimento
26/05/1991
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
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